domingo, 8 de março de 2009

Divergências léxicas


Meus amigos para que não hajam confusões fica o esclarecimento: os habitantes de Salamanca apelidam-se de charros.

Atentem a uma das defi
nições que a Real Academia Espanhola nos dá e que, invariavelmente, está desassociada daquilo que conhecemos em Portugal:

"1. adj. Aldeano de Salamanca, y especialmente el de la región que comprende Alba, Vitigudino, Ciudad Rodrigo y Ledesma. U. t. c. s."

Isto dos falsos amigos tem que se lhe diga...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Novidades hortícolas



Fiquem sabendo que, no meio de tanta aprendizagem, ainda tenho tempo e oportunidade para descobrir novos legumes.

Até esta manhã só os conheci redondos. Perante a minha cara de espanto, o senhor do mercado disse-me que também os há compridos e ao que parece os chineses os apreciam muito.

Eis a novidade: um nabo comprido. A ver vamos qual será a minha avaliação. Depois, dou-vos conta.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Huerto de Calixto y Melibea





Foi na passagem do século XV para o XVI que Fernando de Rojas escreveu Tragicomedia de Calisto y Melibeia, Se quisermos fazer um paralelismo, do ponto de vista temático, é uma obra que se aproxima de “Romeu e Julieta”. Basicamente Calisto é um jovem nobre que se apaixona por Melibeia, também ela uma personagem que goza de um grande poder económico, até porque é a única herdeira da fortuna do seu pai. Sucede que Calisto não é correspondido na paixão e vai então procurar Celestina. Celestina é uma bruxa e dona de uma “casa de meninas” (isto em bom português!!!). Celestina acaba por fazer com que Calisto e Melibeia se relacionem de uma forma conflituosa e eis que a história (de amor) termina com um final trágico.

Esta súmula serve apenas para vos dar conta de um dos lugares que mais gosto em Salamanca: Huerto de Calixto y Melibea. É um pequeno jardim, virado para o rio Tornes, onde se pode ir para ler, passear, conversar, comer, reflectir, fumar um cigarro, … . É um espaço público, no verdadeiro sentido da palavra, com as pessoas (felizmente) a usufruírem e a apropriarem-se dele. Com o sol primaveril que aqui tem feito aproveitei para passar ontem e hoje por lá. Nestas duas tardes, pelo menos, e tal como eu, uma pessoa repetiu a “dose”: um tocador de viola que ali pratica a sua arte, com certeza inspirado pelo ambiente que o rodeia. Fica a confirmação de que passarei por lá muitas mais vezes e seguramente, em cada uma delas, irei aproveitar o jardim de diferentes formas.

Quem quiser vir ao piquenique faça favor de passar a porta…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Museu Casa Lis


Aproveitando a visita do meu amigo Miguel a Salamanca aproveitei para dar umas voltas, até agora as mais turísticas pela Cidade. E foi assim que fui parar ao Museu Casa Lis - Museo de Art Nouveau y Art Decó.

O Museu está inserido num edifício de estilo modernista, desenhado no início do século XX (1905) pelo arquitecto Joaquín de Vargas.

Da sua visita apetece-me sublinhar duas coisas: a primeira diz respeito aos vitrais que podemos ver no interior e a segunda à vista deliciosa sobre o rio Tornes que podemos saborear a partir do exterior do segundo andar.

A visita valeu a pena. Deixo-vos com uma foto tirada pelo Miguel.


http://www.museocasalis.org/





sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um chá que se partilha

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Fumegam as árvores que vejo em frente da janela

e suplicam-me pelo chá que tomo.

Despidas, esguias, agrupam-se

e, sem querer, adornam a minha caneca.

Quase tocam o telhado,

em competição directa,

com as caleiras,

que as olham de forma sobranceira.

No chão,

os passos,

fazem-no os Homens,

quentes nos seus casacos

mas mais desamparados de espírito que Elas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O quarto da Revolução


Há coincidências curiosas. Não é que a porta do meu quarto, me enfrenta , todos os dias, com uma foto de uma jovem em plena Revolução dos Cravos. Ao que parece foi aqui colada por uma estudante de História espanhola que, à semelhança de outros conterrâneos seus, admira o modo como nós, os portugueses, levámos a cabo a revolução de 1974. Posso apenas dizer que a foto ficou bem entregue a esta nova hóspede.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Nota topográfica



Não sei porque razão mas esperava que Salamanca fosse uma cidade plana. Afinal não o é.
Embora longe dos declives das colinas de Lisboa aqui também é possível ir-se trabalhando os
glúteos, os gémeos, os bíceps e todos os
outros músculos dos membros inferiores
que fogem ao meu (limitadíssimo)
conhecimento anatómico.

Posso dizer-vos que a minha condição física sairá, daquilo de que dependam as deslocações urbanas, revigorada.


Venham daí para mais um passeio …