sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Um chá que se partilha

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Fumegam as árvores que vejo em frente da janela

e suplicam-me pelo chá que tomo.

Despidas, esguias, agrupam-se

e, sem querer, adornam a minha caneca.

Quase tocam o telhado,

em competição directa,

com as caleiras,

que as olham de forma sobranceira.

No chão,

os passos,

fazem-no os Homens,

quentes nos seus casacos

mas mais desamparados de espírito que Elas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O quarto da Revolução


Há coincidências curiosas. Não é que a porta do meu quarto, me enfrenta , todos os dias, com uma foto de uma jovem em plena Revolução dos Cravos. Ao que parece foi aqui colada por uma estudante de História espanhola que, à semelhança de outros conterrâneos seus, admira o modo como nós, os portugueses, levámos a cabo a revolução de 1974. Posso apenas dizer que a foto ficou bem entregue a esta nova hóspede.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Nota topográfica



Não sei porque razão mas esperava que Salamanca fosse uma cidade plana. Afinal não o é.
Embora longe dos declives das colinas de Lisboa aqui também é possível ir-se trabalhando os
glúteos, os gémeos, os bíceps e todos os
outros músculos dos membros inferiores
que fogem ao meu (limitadíssimo)
conhecimento anatómico.

Posso dizer-vos que a minha condição física sairá, daquilo de que dependam as deslocações urbanas, revigorada.


Venham daí para mais um passeio …





sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ao som dos trolleys


Se às cidades podemos associar imagens, cheiros, sons aquilo que vos posso dizer é que Salamanca tem indiscutivelmente um som próprio: o das rodas das malas-trolley a rolarem no chão.Se estatísticas houvessem sobre a densidade destes objectos com certeza que, por aqui, essa relação seria bem alta.Não há dia em que saia à rua e que não me entre ouvidos adentro esse (maldito) ruído. Ainda agora chegada e vou, desde já, propor ao Ayuntamiento de Salamanca a introdução deste novo sinal pelas ruas da Cidade.





terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A história do menino que lavava as mãos

No outro dia, num dos arcos da Plaza Mayor, esperando por quem não vinha, e vendo quem passava, pude ouvir um homem de meia-idade contar a um miúdo, acredito que seu descendente, a seguinte história:

“Sabes, quando era pequeno, assim como tu, tinha um amigo que, todos os dias, quando chegava a casa, qualquer que fosse a hora do dia, ou a estação do ano, ia direitinho à casa de banho, assoava o nariz e lavava as mãos. Até que um dia, as coisas mudaram: ao assoar-se, o meu amigo, percebeu que o que lhe saia do nariz era, daquela vez, água!!!! Sabes, ficou assustado, espantado, surpreso. Até que, sem pensar, começou a esfregar as mãos como quem as ia lavar e, nessa altura, a água que escorria do seu nariz parou! Nesse momento percebeu que, dali para diante, apesar de diferente dos outros meninos, dependia apenas de si para que, em qualquer lado, pudesse cumprir esse seu ritual de higiene. E tu, que não és como ele, tens a sorte de ser um rapazinho igual aos outros, recusas por teimosia lavar as mãos. Vê lá se, um destes dias, não te acontece qualquer coisa assim …”.

O miúdo tinha os olhos o mais aberto que podia e o coração, vi-o eu, pequeno, pequeno, tanto era o temor que o abafava.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Las Tres Luces CineClub


Esta foi seguramente a frase que mais me marcou no filme “Tu Vida en 65´” da cineasta espanhola María Ripoll.

Tive oportunidade de, no final da tarde de sexta-feira passada, assistir à projecção deste filme na Faculdade de Biologia de Salamanca. Ao que apurei trata-se de um grupo organizado de alunos, que dão pelo nome de Las Tres Luces CineClub (suponho que como referência ao clássico “A Morte Cansada” de Fritz Lang) e que, todas as semanas, oferecem (literalmente) a todos aqueles que ali queiram ir sessões de cinema vespertinas. Afirmam que “el objetivo de este cineclub gratuito es disfrutar del buen cine, en buena compañía y compartir conocimientos y sensaciones acerca de la película”. Posso garantir-vos que tal sucede. Como primeira experiência gostei, sobretudo, pela discussão-debate que se gerou no final! Deixo-vos o vídeo promocional do filme para vos aguçar (ou não) a curiosidade.




quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O início de uma aventura dentro desta outra Aventura


Pois bem, no rescaldo dos comentários amavelmente dirigidos à minha pessoa, por sinal, vossa amiga, decidi abraçar um desafio: o de criar, neste mundo virtual, um espaço onde fosse deixando notas, sobre tudo e sobre nada, acerca desta minha passagem por terras salamanquinas. Como persona iniciada nestas lides, aviso-vos de que este registo não ficará obrigado a qualquer tipo de cadência, sendo que, para mim, me parece saudável se for deixando, pelo menos, um apontamento semanal.

Feita que ficou esta apresentação inicial espero que venha a ser acompanhada nesta minha Aventura, se possível, com observações da vossa parte, sempre que vos apeteça.

Vamo-nos encontrando por aqui,

Beijos e Abraços